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Articulos & Filosofia – Não ver, não ouvir e não dizer nada de mau

Quantos profissionais que pertencem a uma grande empresa têm um bom cargo, mas não tem prazer no trabalho por causa dos colegas.

Não suporta o despotismo, a vaidade, a prepotência, a arrogância e a mania de grandeza de alguns.

O convívio com “egos inflados” é demasiadamente penoso, e a maioria sempre pergunta o que fazer.

Devemos saber escutar os sons mais sutis e sabe ouvir o silêncio.

Não precisamos dar ouvidos ao que não interessa.

Inclusive porque egos inflados estão em toda parte e a luta contra eles não leva a nada. Evitar a luta de prestígio é um bem que nós fazemos a nós e aos outros.

Para viver, nem tudo nós podemos ver, escutar ou dizer. Isso é representado, desde a Antiguidade, pelos três macacos da sabedoria. Cada um cobre uma parte diferente do rosto com as mãos.

O primeiro cobre os olhos, o segundo as orelhas e o terceiro a boca. A representação é originária da China. Foi introduzida no Japão, no século VIII, por um monge budista. A máxima que ela implica é “não ver, não ouvir e não dizer nada de mau”. Os três macaquinhos, o cego, o surdo e o mudo.

Eles ensinam a não enxergar tudo o que vemos, não escutar tudo o que ouvimos e não dizer tudo o que sabemos. Noutras palavras, ensinam a selecionar e a conter-se. Isso é decisivo para uma atitude, construtiva, mas não é fácil.

Somos impelidos a focalizar o que nos prejudica, impelidos por um gozo masoquista ao qual temos de nos opor continuamente. Só a consciência disso permite não sair do caminho em que a vida desabrocha.

Seleção e contenção tornam a existência mais fácil. Desde que não seja um efeito da repressão, como na educação tradicional, e sim do desejo do sujeito, um desejo vital de se opor às forças do inconsciente que podem nos fazer mal. Isso implica a humildade de aceitar que o inconsciente existe e nós não somos donos de nós mesmos.

A ideia não é nova. Data da descoberta da psicanálise por Freud, no fim do século XIX, mas continua a ser ignorada porque é difícil nos livrarmos do ego. Sobretudo numa sociedade como a nossa, que tanto o valoriza, e que não condena a vaidade, a prepotência e a arrogância.

Pelo contrário, estimula-as para se perpetuar.

Marcos Cantarani