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Articulos & Filosofia – Canalhas e Inúteis

Sem entrar no mérito religioso o primeiro destes encontra-se nas escrituras sagradas, quando Caim tirou a vida de seu irmão apenas por inveja, a partir desse dia o que não mais faltou neste mundo foram Canalhas e Inúteis.

Qualquer um sabe que, Canalhas e Inúteis evoluem historicamente, como tudo mais.

Podemos dizer que os Canalhas e os Inúteis são a síntese dos sete pecados capitais: Luxúria, Gula, Avareza, Ira, Soberba, Vaidade, Preguiça. Os Canalhas e os Inútil são pecadores sistemáticos. A origem dos seus pecados não é religiosa. Nem moral. Seus pecados são político-estratégico-tático. O Canalha e o Inútil fazem pior ainda. Eles têm a ilusão pretensiosa de que “acerta no alvo”, quando, na realidade, erra. O Canalha e o Inútil pratica o erro – por opinião, ação ou omissão contrária à verdade (que é a realidade universal permanente).

Atualmente ficou muito frequente encontrarmos principalmente no ambiente de trabalho pessoas que podem ser facilmente definidas e classificadas como Canalhas e Inúteis:

– Significado de Canalha: A plebe mais vil, gente desprezível. Pessoa sem moral, desonesta; patife, infame.

– Significado de Inútil: Que não serve para nada, infrutuoso, desnecessário e imprestável.

Nos dias atuais, a Justiça é representada simbolicamente por uma estátua de mulher de olhos vendados, segurando em uma das mãos a balança e, na outra, a espada. O primeiro instrumento pesa o direito que cabe a cada uma das partes. E a espada simboliza a defesa dos valores daquilo que é justo.

Sim é apenas uma representação simbólica. Mesmo na era digital, a balança da estátua se assemelha as da Idade Média, quando o Direito era usado única e exclusivamente para perpetuar os privilégios e conquistas dos que detinham o poder. Já a espada, em nenhum momento rompeu com o compromisso de priorizar a defesa da propriedade, mesmo em detrimento dos valores daquilo que é justo.

A estátua da justiça de olhos vendados enxerga bem quando ergue e direciona braço de coação em defesa do justo.

Sobre a venda nos olhos, todos nós aprendemos que é o símbolo da imparcialidade daqueles que representam o Estado e do esforço humano – sempre passível de erros – de evitar privilégios na aplicação da Justiça. Porem é curioso e vale lembrar que na mitologia grega, nas primeiras representações simbólicas da Justiça, as deusas Têmis e sua filha Diké, aparecem ambas, de olhos abertos, sem vendas.

Quando a deusa foi vendada?

Há quem afirme que esse adereço, nos olhos da Justiça, aparece no império romano, com a deusa Iustitia. Para outros, é uma criação de artistas da Idade Média para denunciar a parcialidade dos julgadores e criticar a dissociação do Direito em relação à Justiça.

A citada faixa simboliza imparcialidade, quer dizer que a Têmis, por ser a própria exteriorização da Justiça, não vê diferenças entre as partes em litígio, sejam ricos ou pobres, poderosos ou humildes, grandes ou pequenos. Suas decisões, justas e prudentes, não são fundamentadas na personalidade, nas qualidades das pessoas ou, ainda, no seu poder, mas apenas, na sabedoria das leis.

A dúvida sobre a necessidade de deixar a justiça cega persiste: serve para assegurar a imparcialidade ou é uma demonstração de força e poder das elites para assegurar privilégios e impunidades, que se perpetuam em atuações e sentenças dadas nos tribunais.

Os Canalhas e Inúteis certamente torcem muito, no seu dia-a-dia para que a venda nos olhos da estátua lhe assegure uma confortável distância daquele braço armado com a espada.

Pode-se entender que aos olhos de todos, a justiça é cega, no sentido de tentar ser justa e imparcial, mas… No escuro, quando nem todos podem ver, ela enxerga, e pende para um lado, perde a imparcialidade e ganha a justiça.

O Canalha é parceiro do Inútil. Ambos sobrevivem em torno da ilusão de poder.

Canalhas e Inúteis prosperam não só no Brasil, mas em todo o mundo. Ganham cada vez mais espaço, não apenas na vida pública ou bajulando os seus superiores hierárquicos, mas em todos os espaços.

Motivo: a omissão, a conivência ou a leniência dos sujeitos corretos e inteligentes. Aqueles que têm algo prático e relevante a propor e a realizar, deixam brechas sociais para os Canalhas e Inúteis fazerem a sua festinha.

Resultado: é um mundo em que as inversões de valores e os conceitos falsos se propagam e se tornam hegemônicos. Eis o império da imbecilidade, da canalhice e da idiotice coletiva.

Hoje em dia, os Canalhas e Inúteis “avançaram” muito. Eles identificam “causas externas” para sua condição de Canalha, ou, melhor ainda, não reconhece sua condição de Canalha; julgam-se apenas como homens cumprindo seu “papel social”.

Conclusão: Suas palavras são maldosas, ardilosas e traiçoeiras. Pois há muito tempo ele abandonou o bom senso, a justiça e a prática do bem.

Marcos Cantarani

(Março 2013)